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Medidores de pressão industrial manométricos e transmissores instalados em tubulação com válvulas de bloqueio
28 de janeiro

Medidores de pressão industrial: quando usar manométrico ou transmissor

Pressão é uma das variáveis mais sensíveis dentro de qualquer planta. Ela interfere diretamente em fluxo, estabilidade de bombas e compressores, desempenho de trocadores, segurança de vasos e qualidade do produto final. E, por mais que pareça “básico”, escolher o medidor de pressão industrial errado é uma forma bem eficiente de gerar leitura instável, alarmes falsos, falhas de controle e manutenção desnecessária.

Entre as opções mais comuns, duas se destacam: o medidor manométrico (o famoso manômetro) e o transmissor de pressão (o sensor que envia sinal para CLP e supervisório). Cada um tem um papel claro no processo. A dúvida geralmente aparece porque as duas soluções “medem pressão”, mas atendem necessidades totalmente diferentes.

Neste artigo, você vai entender quando usar cada um, quais critérios fazem diferença na prática, como evitar erros de especificação e como assistência técnica e projetos bem estruturados ajudam a garantir confiabilidade no dia a dia.

O que é um medidor manométrico e por que ele ainda é tão usado

O medidor manométrico, ou manômetro, é um instrumento de leitura local. Ele mostra a pressão no próprio equipamento, geralmente por ponteiro e escala (analógico) ou display simples (digital). É muito comum em painéis, linhas de utilidades, sistemas de bombeamento e pontos onde o operador precisa de confirmação rápida.

Quando o manômetro faz sentido

  • Leitura local e imediata: inspeção operacional no campo.
  • Pontos de manutenção e comissionamento: checar pressão antes e depois de válvulas, filtros e bombas.
  • Utilidades e sistemas simples: ar comprimido, água de resfriamento, linhas auxiliares.
  • Instrumento de referência de campo: apoio em diagnóstico e análise rápida.

Vantagens

  • Instalação simples e custo acessível.
  • Não exige alimentação elétrica (na maioria dos modelos).
  • Útil como redundância visual, mesmo quando há automação.

Limitações

  • Não envia sinal contínuo para controle e histórico.
  • Sujeito a leitura humana e interpretações diferentes.
  • Pode sofrer com vibração, pulsação e golpes de aríete, reduzindo vida útil.
  • Para processos críticos, não substitui rastreabilidade e alarmes automatizados.

Em resumo: manômetro é excelente para leitura local e operação, mas não é a melhor escolha quando você precisa de controle, registro e confiabilidade de dados ao longo do tempo.

O que é transmissor de pressão e por que ele virou padrão em automação

O transmissor de pressão mede a variável e envia um sinal padronizado (como 4–20 mA, HART, Modbus ou outra rede) para o CLP, DCS e sistemas de supervisão. Ele é a base do controle de malhas, alarmes e análise de tendência. Quando falamos em estabilidade de processo e confiabilidade, o transmissor é o protagonista.

Quando o transmissor é a melhor escolha

  • Controle automático: malhas de pressão, controle de bombas, válvulas e compressores.
  • Segurança: intertravamentos, alarmes e limites operacionais.
  • Análise e rastreabilidade: histórico de pressão para auditoria e investigação de desvios.
  • Processos críticos: reatores, vapor, químicos, alimentos, farmacêutico e utilidades centrais.
  • Monitoramento remoto: plantas com áreas de difícil acesso.

Vantagens

  • Integração direta com automação e alarmes.
  • Maior consistência para controle e análise.
  • Possibilidade de recursos de diagnóstico (dependendo do modelo).

Limitações

  • Exige alimentação e integração elétrica.
  • Custo inicial maior que manômetros simples.
  • Necessita especificação técnica mais cuidadosa (range, materiais, processo).

A diferença aqui é clara: o transmissor é feito para transformar pressão em dado confiável e acionável no sistema de controle.

Comparativo prático: manométrico vs transmissor

1) Objetivo: operação local ou controle do processo

Se o objetivo é apenas conferir pressão localmente, o manômetro resolve. Se o objetivo é controlar, registrar e analisar, o transmissor é a escolha natural.

2) Criticidade e risco

Em processos com pressão industrial elevada, riscos de segurança e impacto no produto, depender apenas de leitura local é uma fragilidade. A combinação de transmissor + redundância (manômetro ou segundo transmissor) costuma ser a abordagem mais madura.

3) Ambiente e esforço mecânico

Vibração, pulsação de bomba e golpes de pressão podem destruir instrumentos rapidamente. Aqui, a solução não é só escolher o medidor: é aplicar acessórios e montagem correta, como sifões (vapor), amortecedores, snubbers, selos diafragma e posicionamento adequado.

4) Precisão, repetibilidade e estabilidade

Manômetros podem atender muitas aplicações, mas em malhas de controle e análise de processo, transmissores geralmente oferecem melhor estabilidade e repetibilidade, principalmente com especificação correta de faixa e compensações.

Como especificar corretamente um medidor de pressão industrial

Seja manométrico ou transmissor, a especificação começa pelos mesmos pontos:

  • Tipo de pressão: manométrica, absoluta ou diferencial.
  • Faixa de operação: mínima, nominal e máxima (incluindo picos).
  • Temperatura do processo: impacto em materiais e vedação.
  • Compatibilidade química: fluido corrosivo ou com risco de incrustação.
  • Conexão e montagem: rosca, flange, posição, necessidade de selo diafragma.
  • Classe de precisão e necessidade de análise: controle, auditoria, qualidade.

Um erro clássico é escolher faixa muito alta “por segurança”. Isso reduz resolução e dificulta controle. O ideal é dimensionar para operar na parte útil da escala, considerando picos e margens reais do processo.

Casos comuns e recomendações rápidas

  • Ar comprimido em utilidades: manômetro local pode ser suficiente; transmissor se você quer gestão energética e alarmes.
  • Bombas e filtros: manômetro para diagnóstico local, transmissor se houver controle automático ou necessidade de tendência.
  • Vapor: transmissor com montagem adequada (sifão) para confiabilidade; manômetro como leitura local e redundância.
  • Processos críticos: transmissor como base; redundância e lógica de segurança conforme projeto.

Assistência técnica e projetos: onde mora a confiabilidade

Muita falha em medição de pressão não acontece porque o instrumento é ruim, e sim porque a aplicação foi mal definida. É aí que entram assistência técnica e projetos:

  • Escolha correta de faixa e tipo de pressão.
  • Definição de acessórios (selo, sifão, amortecedor) para reduzir falhas.
  • Padronização de instalação e documentação para análise e rastreabilidade.
  • Integração consistente com automação, alarmes e rotinas de manutenção.

Uma seleção bem feita reduz paradas, melhora estabilidade do fluxo e fortalece a segurança operacional.

Escolha baseada no objetivo e no risco do processo

O medidor de pressão industrial manométrico é excelente para leitura local, inspeção e aplicações simples. Já o transmissor é essencial quando você precisa de controle, alarmes, histórico e análise de tendência. Em operações maduras, é comum usar os dois de forma complementar: o transmissor garante dados para automação e o manômetro dá uma checagem local rápida.

Se você estiver definindo instrumentos para uma linha nova ou corrigindo instabilidades, vale mapear faixa, picos, temperatura e fluido e contar com apoio técnico para especificar o conjunto ideal (instrumento + acessórios), reduzindo falhas e aumentando a confiabilidade do processo.

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