
Diferença entre medidor de vazão ultrassônico, eletromagnético e mássico
Quando alguém pesquisa tipos de medidor de vazão, normalmente está tentando resolver uma dor bem específica: leituras instáveis, dificuldade de manutenção, falta de precisão para controle, necessidade de análise mais confiável ou uma aplicação nova que exige tomada de decisão rápida. E aqui vai uma verdade prática: não existe tecnologia “campeã” em todos os cenários. O que existe é o medidor certo para o seu fluido, sua instalação e a qualidade de dados que você quer colocar na mesa.
Neste artigo, você vai entender as diferenças entre medidor de vazão ultrassônico, eletromagnético e mássico (especialmente Coriolis), com linguagem direta, mas sem simplificar demais. A ideia é te dar um mapa técnico para escolher bem, evitar erros caros e ganhar consistência de fluxo, rastreabilidade e previsibilidade no processo.
Antes de comparar: o que você precisa medir de verdade
Para comparar os tipos de medidor de vazão do jeito certo, comece pela pergunta mais importante:
- Você precisa de vazão volumétrica (L/min, m³/h) ou vazão mássica (kg/h)?
- Seu fluido é condutivo ou não?
- Existem sólidos, bolhas ou espuma?
- Qual é a faixa de operação e a variação ao longo do tempo?
- Como estão temperatura e pressão industrial?
- A medição é para controle, balanço, custo ou auditoria?
Com isso em mãos, a comparação fica objetiva. Sem isso, vira “escolha por tendência”, e processos industriais não perdoam tendência.
Medidor ultrassônico: flexibilidade e instalação inteligente
O medidor ultrassônico mede vazão a partir da propagação de ondas sonoras no fluido. Existem duas abordagens principais:
- Tempo de trânsito: ideal para líquidos relativamente limpos. Mede a diferença de tempo do sinal indo e voltando com e contra o fluxo.
- Doppler: usado quando há partículas ou bolhas que refletem o sinal. Pode funcionar melhor em fluidos com sólidos ou gás disperso.
Vantagens do ultrassônico
- Instalação clamp-on (não invasiva): em muitos casos, sem cortar tubulação e sem parar a planta.
- Baixa perda de carga: não há obstrução na linha.
- Ótimo para retrofit e campanhas de medição: auditorias, estudos de eficiência e análise temporária.
Limitações e cuidados
- Perfil de escoamento importa: trechos retos e ausência de turbulência excessiva ajudam muito.
- Bolhas e incrustação: podem degradar o sinal no tempo de trânsito.
- Montagem e parametrização: posicionamento dos transdutores, material da tubulação e espessura influenciam.
Se a prioridade é velocidade de instalação e flexibilidade, ultrassônico é forte. Se a prioridade é medição “à prova de variabilidade do fluido”, talvez outra tecnologia seja mais estável.
Medidor eletromagnético: referência para líquidos condutivos
O eletromagnético mede vazão em líquidos condutivos usando o princípio de indução eletromagnética. Simplificando: o fluido condutivo passando por um campo magnético gera uma tensão proporcional à velocidade do fluxo. É uma solução muito adotada em água industrial, efluentes e processos com sólidos em suspensão.
Vantagens do eletromagnético
- Sem partes móveis: reduz desgaste e manutenção.
- Baixa perda de carga: passagem plena na tubulação.
- Boa performance com sólidos: quando bem especificado em materiais e revestimentos.
Limitações e cuidados
- Condutividade mínima: líquidos não condutivos (óleos, hidrocarbonetos puros) não funcionam bem.
- Aterramento e instalação elétrica: ruídos e aterramento inadequado afetam leitura.
- Trechos retos e tubulação cheia: recomendações de montagem precisam ser respeitadas.
Se o seu processo é majoritariamente líquido condutivo e você quer estabilidade com manutenção controlada, o eletromagnético costuma ser uma escolha segura e muito consistente.

Medidor mássico (Coriolis): quando a indústria pede dados “premium”
O Coriolis mede vazão mássica diretamente. Ele detecta alterações de fase e forças geradas pelo escoamento em tubos vibrantes. Além disso, muitos modelos fornecem também densidade e temperatura, o que é valioso para análise e controle de qualidade.
Vantagens do Coriolis
- Medição mássica direta: excelente quando densidade varia e volume engana.
- Alta precisão e repetibilidade: ótimo para dosagem e bateladas.
- Densidade e temperatura: recursos úteis para monitoramento de processo e análise.
Limitações e cuidados
- Custo inicial maior: exige análise de retorno e criticidade do processo.
- Instalação mecânica: suporte, vibração e tensão na tubulação precisam ser bem tratados.
- Aplicações com duas fases: dependendo do nível, pode impactar leitura e estabilidade.
Quando a medição é parte central do valor do produto, do controle fino ou do balanço de massa, o Coriolis costuma justificar o investimento por reduzir incerteza e retrabalho.
Comparativo direto: como decidir entre ultrassônico, eletromagnético e mássico
1) Pelo tipo de fluido
- Líquidos condutivos: eletromagnético é muito forte; ultrassônico pode funcionar bem em líquidos limpos; Coriolis quando massa e densidade importam.
- Líquidos não condutivos: ultrassônico ou Coriolis tendem a ser opções mais viáveis.
- Fluidos com sólidos: eletromagnético frequentemente se destaca; ultrassônico Doppler pode ser alternativa conforme a condição.
2) Pela necessidade de instalação e paradas
- Sem parar a planta: ultrassônico clamp-on é o mais conveniente.
- Instalação definitiva em linha: eletromagnético ou Coriolis, conforme o objetivo.
3) Pela variável de controle
- Controle de volume: ultrassônico e eletromagnético são comuns.
- Controle de massa: Coriolis entrega com consistência, especialmente com variação de densidade.
4) Pela robustez em condições industriais
Pressão industrial, temperatura, vibração e ruído elétrico exigem especificação correta. Em muitos casos, o que “quebra” o projeto não é a tecnologia, e sim a falta de engenharia de aplicação e padronização de instalação.
Erros comuns na escolha dos tipos de medidor de vazão
- Escolher ultrassônico tempo de trânsito em fluido com bolhas: sinal oscila e vira dor de cabeça.
- Escolher eletromagnético para fluido não condutivo: o medidor não tem como medir corretamente.
- Escolher Coriolis sem suporte mecânico: vibração e tensão na linha afetam desempenho.
- Ignorar trechos retos e instalação: a medição vira “média criativa”.
- Não padronizar calibração e análise: sem histórico, você não enxerga deriva nem causa raiz.
Integração, análise e rotina de confiabilidade
Um ponto que separa medições “ok” de medições realmente úteis é a integração. Independentemente do tipo, um bom setup inclui:
- Parâmetros padronizados, tags e documentação;
- Integração com CLP e supervisório para tendências;
- Alarmes de diagnóstico e verificação;
- Rotina de calibração, verificação e análise;
- Atenção ao contexto de pressão industrial e temperatura quando houver compensação.
Nesse cenário, contar com assistência técnica reduz tempo de troubleshooting, e a visão de projetos ajuda a padronizar tecnologia e reduzir custo de manutenção ao longo do tempo.
A melhor escolha é a que sustenta o processo
Entre os tipos de medidor de vazão, o ultrassônico brilha quando flexibilidade e instalação rápida são prioridade. O eletromagnético é referência para líquidos condutivos com baixa perda de carga e boa robustez. O Coriolis entrega medição mássica com alta confiabilidade e dados extras para análise, sendo ideal quando precisão e controle fino são críticos.
Se você quiser acelerar a decisão, reúna as informações do processo (fluido, diâmetro, faixa, temperatura e pressão industrial) e avalie a melhor tecnologia com suporte técnico e visão de projetos para garantir medição estável desde o comissionamento.
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